terça-feira, 16 de outubro de 2012

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

E estou pensando.

Engraçado quando pessoas do presente nos fazem lembrar de coisas do passado.
Hoje, um conhecido virtual me lembrou de como um conhecido e eu nos tratávamos em épocas de maiores intimidades.

A frase chave era "Estou pensando.".

Foi interessante ver o contexto da situação receber inesperadamente frase semelhante. Continuo pensando, mas com certeza não é em lamento ao que passou e poderia ter sido, ou pelo que não deu certo. Provavelmente um pensamento para outra direção.

Que seja.

O que acredito que valha falar é que me mantenho pensando, mas também em mim.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Cicatrizes.

Depois de 12 anos desde que minha sexualidade foi exposta para minha família, descubro que as verdades, quando a questão veio à tona, foram expostas de um modo completamente grosseiro.
Ainda assim, ter falado sobre isso e ter podido expor minhas detestáveis sentimentalidades foi muito bom.

Talvez ainda exista muito a falar sobre isso, mas estou torcendo para que o peso do assunto seja cada vez menor.

Contudo, ainda sem saber como me dar com o patriarca...

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sou eu.

Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.

Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.

Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.

Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo


A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.

Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.

Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.

Sou eu mesmo, que remédio! ...



Álvaro de Campos, in "Poemas"
       --Fernando Pessoa --

terça-feira, 10 de julho de 2012

Dor.

Vaga, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.

O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma,

E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.

Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.

Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem.

(Fernando Pessoa)

domingo, 17 de junho de 2012

Paixão nacional.

Minha mãe diz que não dava tanta importância para o futebol quando era adolescente...
Meu pai diz que só veio saber o que é futebol aos 17...

Eu, até hoje, não conheço nem vejo sentido.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Ego. (2)

Eu sou aquele em que você pode perceber, em distintos ou iguais momentos, o calor das mãos e a frieza dos olhos.
Caso prefira, o calor dos olhos e a frieza das mãos, se, por ventura, solicitar um prato para o inverno.

Não vivo mais de aparências. Hoje dou preferência aos amores largados que se amam de verdade que aos amores falados e discursados. Amores que se vestem como sacos de ráfia que levam a chepa da feira.

Tenho sentido o ventre amargando na tentativa de digerir a ma colocação, mas a degustação do ser humano me traz o doce à boca em alguns momentos.

Todavia, os felinos me são mais agradáveis que os gatunos vestidos de injustiçados.

Só o que sei para o momento é que ainda posso encontrar a porta aberta e tornar a ser como nos velhos tempos..., mas até quando?

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Ver vai alem.

Talvez eu tenha realmente reclamado da vida mais do que deveria. A final, tenho saúde para trabalhar, estou empregado e posso deitar a cabeça em meu travesseiro a noite e dormir sem quase nenhuma preocupação.

Porem, eu tenho preocupações. Preocupações e questionamentos sobre a vida. E, ainda, questionamentos que me trazem preocupações. Grande exemplo de um momento filosofante em que matutava sobre cegueira: após ser destratado por um velhinho que mostrava aparente saúde física para a idade que tinha, mas terrível saúde intelectual (provavelmente um problema congênito e educacional), subiu no ônibus em que eu estava, um cego. Havia lugares para o velhinho no momento em que ele subiu no ônibus, mas o cego já embarcara com o ônibus lotado.
Embora com um tremendo ódio do fato da lei privilegiar "idosos e deficientes" nesses casos (ora, nem todo deficiente precisa ser tratado como incapaz ou como alguem de extrema necessidade de atenção), para o caso do cego, eu cedi o lugar e tive o cuidado de perguntar onde ele saltaria e se precisaria de alguma ajuda para isso. Educadamente ele dispensou a ajuda alegando que já estava acostumado com o trajeto.


 
Moral da história: Tem muita gente que tem um par de olhos saudáveis e que não enxerga nada, enquanto deficientes visuais vão alem da visão mortal.

Isso não seria motivo para preocupação?

domingo, 13 de maio de 2012

Sozinho

Um pouco triste com a confirmação do que já era esperado, lembrei de Caetano e de que ele já havia falado alguma coisa que vai de encontro com o sentimento do momento:


Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado
Juntando o antes, o agora e o depois

Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho

Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém

Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora

Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora

Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?

terça-feira, 24 de abril de 2012

Mágoas.

Uma outra grande dificuldade em mim é não saber tratar de minhas mágoas. Algumas se vão espontaneamente e caem no mar do esquecimento, mas outras ficam tão encrustadas em meu ser que latejam quando durmo.
Prefiro as magoas que a raiva. Assim sofro só, sem muitos danos aos que me acompanham (não são muitos), mas gostaria muito de saber afoga-las sem atingir ninguém.
Dizem que vomitar verdades aos seus opressores ajuda a não reter esse sentimento, mas já percebi que isso deve ser feito no exato momento em que este te oprime e, como no geral eu sempre estou desprevenido de palavras, acabo perdendo o grande momento e mastigando aquele sentimento junto com a fronha do meu travesseiro.
As vezes resmungo com alguém, mas é outra raridade ter alguém para me escutar face-a-face e me abraçar depois do desabafo.

Prometo que vou procurar melhorar, porem gostaria que admitisse que certas mágoas tem fontes quase que imperdoáveis.