Depois de 12 anos desde que minha sexualidade foi exposta para minha família, descubro que as verdades, quando a questão veio à tona, foram expostas de um modo completamente grosseiro.
Ainda assim, ter falado sobre isso e ter podido expor minhas detestáveis sentimentalidades foi muito bom.
Talvez ainda exista muito a falar sobre isso, mas estou torcendo para que o peso do assunto seja cada vez menor.
Contudo, ainda sem saber como me dar com o patriarca...
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Sou eu.
Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.
Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.
Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo
—
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.
Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.
Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.
Sou eu mesmo, que remédio! ...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
--Fernando Pessoa --
terça-feira, 10 de julho de 2012
Dor.
Vaga, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.
O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma,
E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.
Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.
Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem.
(Fernando Pessoa)
domingo, 17 de junho de 2012
Paixão nacional.
Minha mãe diz que não dava tanta importância para o futebol quando era adolescente...
Meu pai diz que só veio saber o que é futebol aos 17...
Eu, até hoje, não conheço nem vejo sentido.
Meu pai diz que só veio saber o que é futebol aos 17...
Eu, até hoje, não conheço nem vejo sentido.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Ego. (2)
Eu sou aquele em que você pode perceber, em distintos ou iguais momentos, o calor das mãos e a frieza dos olhos.
Caso prefira, o calor dos olhos e a frieza das mãos, se, por ventura, solicitar um prato para o inverno.
Não vivo mais de aparências. Hoje dou preferência aos amores largados que se amam de verdade que aos amores falados e discursados. Amores que se vestem como sacos de ráfia que levam a chepa da feira.
Tenho sentido o ventre amargando na tentativa de digerir a ma colocação, mas a degustação do ser humano me traz o doce à boca em alguns momentos.
Todavia, os felinos me são mais agradáveis que os gatunos vestidos de injustiçados.
Só o que sei para o momento é que ainda posso encontrar a porta aberta e tornar a ser como nos velhos tempos..., mas até quando?
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Ver vai alem.
Talvez eu tenha realmente reclamado da vida mais do que deveria. A final, tenho saúde para trabalhar, estou empregado e posso deitar a cabeça em meu travesseiro a noite e dormir sem quase nenhuma preocupação.
Porem, eu tenho preocupações. Preocupações e questionamentos sobre a vida. E, ainda, questionamentos que me trazem preocupações. Grande exemplo de um momento filosofante em que matutava sobre cegueira: após ser destratado por um velhinho que mostrava aparente saúde física para a idade que tinha, mas terrível saúde intelectual (provavelmente um problema congênito e educacional), subiu no ônibus em que eu estava, um cego. Havia lugares para o velhinho no momento em que ele subiu no ônibus, mas o cego já embarcara com o ônibus lotado.
Embora com um tremendo ódio do fato da lei privilegiar "idosos e deficientes" nesses casos (ora, nem todo deficiente precisa ser tratado como incapaz ou como alguem de extrema necessidade de atenção), para o caso do cego, eu cedi o lugar e tive o cuidado de perguntar onde ele saltaria e se precisaria de alguma ajuda para isso. Educadamente ele dispensou a ajuda alegando que já estava acostumado com o trajeto.
Moral da história: Tem muita gente que tem um par de olhos saudáveis e que não enxerga nada, enquanto deficientes visuais vão alem da visão mortal.
Isso não seria motivo para preocupação?
domingo, 13 de maio de 2012
Sozinho
Um pouco triste com a confirmação do que já era esperado, lembrei de Caetano e de que ele já havia falado alguma coisa que vai de encontro com o sentimento do momento:
Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado
Juntando o antes, o agora e o depois
Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho
Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém
Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?
Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?
Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?
terça-feira, 24 de abril de 2012
Mágoas.
Uma outra grande dificuldade em mim é não saber tratar de minhas mágoas. Algumas se vão espontaneamente e caem no mar do esquecimento, mas outras ficam tão encrustadas em meu ser que latejam quando durmo.
Prefiro as magoas que a raiva. Assim sofro só, sem muitos danos aos que me acompanham (não são muitos), mas gostaria muito de saber afoga-las sem atingir ninguém.
Dizem que vomitar verdades aos seus opressores ajuda a não reter esse sentimento, mas já percebi que isso deve ser feito no exato momento em que este te oprime e, como no geral eu sempre estou desprevenido de palavras, acabo perdendo o grande momento e mastigando aquele sentimento junto com a fronha do meu travesseiro.
As vezes resmungo com alguém, mas é outra raridade ter alguém para me escutar face-a-face e me abraçar depois do desabafo.
Prometo que vou procurar melhorar, porem gostaria que admitisse que certas mágoas tem fontes quase que imperdoáveis.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Amores.
Me pergunto o por que de diferençar os amores de nossa vida.
Amor de amigos, amor de irmãos, amor de casais...
Amor, amor.
Sempre amor.
As pessoas fazem questão de colocar barreiras e fazer diferenças entre o amor, mas eu comparo o amor com o pecado: não importa o quão grave seja o seu pecado, sempre será pecado e sempre te afastará de Deus.
Assim também falo do amor: namorados, amigos, pais... não importa por quem seja, a unica coisa que mudará é a atitude atribuída de um para o outro juntamente com esse sentimento. O amor.
Pode não haver, um dia, sexo; pode não haver atração; pode não haver paciência... mas o amor fica.
Para que se distanciar? O amor verdadeiro é sublime demais para que se faça distancia após a falta de desejo ou com a chegada da saudade e da carência.
quinta-feira, 15 de março de 2012
O Amor
~ Gibran Kahlil Gibran ~
Então, Almitra disse: “Fala-nos do amor.”
E ele ergueu a fronte e olhou para a multidão,
e um silêncio caiu sobre todos, e com uma voz forte, disse:
Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
Como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa,
Assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento,
Trabalha para vossa queda.
E da mesma forma que alcança vossa altura
E acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes
E as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
No pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós
Para que conheçais os segredos de vossos corações
E, com esse conhecimento,
Vos convertais no pão místico do banquete divino.
Todavia, se no vosso temor,
Procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
E abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações,
Onde rireis, mas não todos os vossos risos,
E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio
E nada recebe senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.
Porque o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga:
“Deus está no meu coração”,
Mas que diga antes:
"Eu estou no coração de Deus”.
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor,
Pois o amor, se vos achar dignos,
Determinará ele próprio o vosso curso.
O amor não tem outro desejo
Senão o de atingir a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos,
Sejam estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
Que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado
E agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia
E meditardes sobre o êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado,
E nos lábios uma canção de bem-aventurança.
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